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Red Bull e Sistema Cardiovascular: energia ou sobrecarga?

Comentário de estudo

Cardio- and cerebrovascular responses to the energy drink Red Bull in young adults: a randomized cross-over study. Grasser EK et al. Eur J Nutr 2014 Jan 29.

Qual o problema e o que se sabe a respeito até o momento?

As bebidas energéticas possuem açucares, cafeína, taurina e carboidrato, bem como, outros ingredientes que podem incluir vitaminas e minerais. Ainda que os fabricantes defendam efeitos positivos sobre o desempenho global, concentração mental, velocidade de reação, vigilância, metabolismo e bem-estar, há escassez de evidências para confirmar todos esses benefícios.

Por que os pesquisadores fizeram esse estudo?

Os “energéticos” podem causar efeitos colaterais como complicações cardiovasculares ou sintomas de intoxicação. Assim, é necessário testar e caracterizar potenciais riscos para a saúde associados com as bebidas energéticas.

Quem foi estudado?

Foram estudados 25 adultos (12 homens e 13 mulheres) com idade entre 20 e 30 anos, sem complicações cardiovasculares, e com baixo consumo diário de cafeína.

Como foi feito o estudo?

Os participantes do estudo visitaram duas vezes o laboratório, no turno da manhã, e com a recomendação de não consumirem cafeína e álcool nas 24 prévias às visitas. Em um dia era consumido uma lata de Red Bull (350ml) e no outro dia somente água (350ml). Antes (20 min) e após (20, 40, 60, 80, 100 e 120 min) o consumo das bebidas, os pesquisadores quantificaram a pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, fluxo sanguíneo cerebral e capacidade de dilatação dos vasos sanguíneos dos sujeitos.

Quais foram os achados?

A Ingestão de Red Bull aumentou a pressão arterial (sistólica e diastólica) rapidamente após o consumo, já sendo verificado aos 20 minutos após a ingestão. O pico de pressão arterial sistólica (~5 mmHg) ocorreu aos 70 min e o pico da pressão arterial diastólica (~6 mmHg) foi observado aos 90 min após o consumo. Quando comparado o consumo de Red Bull com o consumo de água, a bebida energética aumentou mais pressão arterial. A frequência cardíaca aumentou após 40 minutos do consumo de Red Bull, enquanto foi reduzida após oconsumo de água. Além disso, o energético Red Bull aumentou o duplo produto, medida é uma multiplicação da pressão arterial sistólica pela frequência cardíaca e é indicadora de esforço cardíaco, com um pico aos 90 min. Por fim, o Red Bull aumentou a resistência vascular em artéria cerebral, a frequência respiratória, bem como, reduziu o fluxo sanguíneo cerebral, quando comparado ao consumo de água. Quais as limitações do estudo? O estudo teve ótimo planejamento metodológico, com avaliação dos efeitos por até 2 horas após o consumo da bebida, comparação com outra bebida (água), e medida da pressão arterial contínua (a cada batimento cardíaco). A falta de resultados estratificados por gênero, ou relacionados com diferentes faixas etárias, decorrem da amostra reduzida, a qual é uma limitação do estudo. O uso de uma bebida “genérica” ou de testes com diferentes marcas indicaria que os efeitos observados derivam da formulação da bebida e não somente de um único energético (neste caso, Red Bull). A comparação ideal seria de uma bebida não-energética (sem tantos açucares e sem cafeína), mas com sabor idêntico ao Red Bull.

Quais as implicações do estudo?

Há sobrecarga cardiovascular após o consumo de uma lata de bebida energética, o que é bastante indesejável em indivíduos hipertensos ou isquêmicos (coronariopatas). No entanto, estudos complementares são necessários para caracterizar se tais respostas são mais exacerbadas em outras populações. Embora a associação publicitária com consumo de bebidas energéticas seja de força física e foco mental, o presente estudo mostra que o energético Red Bull prejudica o corpo decorrente de sobrecarga cardíaca e circulatória.

Para acessar o estudo original, clique aqui.