Você sabe a diferença entre os tipos de fibras musculares ?

Você sabe a diferença entre os tipos de fibras musculares ?

O músculo esquelético compreende 40% da massa total do corpo e representa 30% da taxa metabólica de repouso em humanos adultos. É descrito que a musculatura esquelética tem um papel fundamental no controle glicêmico e na homeostase metabólica, bem como, é o maior órgão de armazenamento de glicogênio, quatro vezes mais capacidade do que no fígado. Notavelmente, uma única sessão de exercício melhora a sensibilidade à insulina em todo o corpo por até 48 horas após o término do exercício. Além disso, o exercício aumenta a captação de glicose no músculo esquelético através de uma via independente de insulina, indicando que a contração muscular impacta diretamente na homeostase da glicose.

Sabe-se que o estímulo contínuo de contração muscular, associado ao treinamento físico regular, promove potentes estímulos para a adaptação fisiológica. As adaptações musculares induzidas pelo treinamento físico regular são refletidas principalmente por mudanças nas proteínas contráteis, na função mitocondrial, na regulação metabólica, na sinalização intracelular e nas respostas de transcrição. Os mecanismos moleculares amplamente aceitos para governar as adaptações frente ao treinamento físico envolvem a alteração gradual do conteúdo proteico e atividades enzimáticas. Essas mudanças progressivas refletem ativação e/ou repressão de vias de sinalização específicas que regulam a transcrição e tradução, bem como, a expressão gênica em resposta ao exercício. Dentre as mudanças transitórias na transcrição gênica pós-exercício podemos citar: reguladores miogênicos, genes do metabolismo de carboidrato, mobilização de lipídios, de transporte e de oxidação, metabolismo mitocondrial e fosforilação oxidativa. Além disso, aumentos na expressão de RNA mensageiro (RNAm: responsável pela transferência de informação do DNA até o local de síntese de proteína, na célula) em resposta ao exercício agudo (uma sessão de exercício) facilitam a síntese de proteínas provocando remodelamento estrutural gradual e ajustamentos funcionais em longo prazo. Em geral, essas adaptações são intrínsecas ao músculo esquelético trabalhado e coletivamente contribui para maximizar o fornecimento de substrato, capacidade mitocondrial e função contrátil durante o exercício. O efeito “líquido” é o de promover um ótimo desempenho durante um futuro desafio, resultando em uma defesa robusta da homeostase frente a nova perturbação metabólica e, consequentemente, aumentando a resistência à fadiga.

O músculo esquelético de mamíferos é constituído por vários tipos de fibras. As fibras musculares esqueléticas são definidas como  de contração “lenta” ou “rápida” com base na propriedade contrátil do seu pico de tensão em relação ao tempo ou característica da contração muscular. A subclassificação do tipo IIa e tipo IIx existe nos seres humanos, enquanto o tipo IIb é primariamente encontrada em roedores. Partindo dessa introdução, os pesquisadores Brendan Egan e Juleen R. Zierath do Instituto de Esporte e Saúde da Universidade de Dublin na Irlanda, desenvolveram uma elegante e didática revisão descrevendo as características contráteis, metabólicas e morfológicas dos tipos de fibras musculares de humanos frente ao estímulo do exercício físico. Na tentativa de facilitar a descrição de tais características elaborei este post onde trago traduzido duas das tabelas expostas na revisão de Brendan Egan e Juleen R. Zierath publicada na renomada revista científica Cell Metabolism (Fator de impacto de 17.5) no ano de 20013. Para acessar o artigo clique aqui.

Na figura 1 do artigo (abaixo) podemos encontrar a descrição das bases moleculares e suas adaptações frente ao estímulo do exercício físico. A figura traz uma representação esquemática de mudanças na expressão de RNAm, conteúdo de proteína, função enzimática e o respectivo desempenho no exercício ao longo do tempo (exercício agudo – uma sessão de exercício físico) e (exercício crônico ou treinamento – várias sessões de exercício físico).

Na tabela 1 (abaixo) do artigo são discriminadas as características das fibras musculares conforme o seu tipo.

Figura 1

 figura 1

Tabela 1

figura 2

Grande abraço pessoal e boa leitura!

Profissional de Educação Física graduado pela Universidade Feevale (2008). Mestrado em Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (2013). Atualmente é doutorando em Cardiologia do Instituto de Cardiologia / Fundação Universitária de Cardiologia - IC/FUC do Rio Grande do Sul (2015). Antropometrista (Nível 2) certificado pela International Society for the Advancement of Kinanthropometry (ISAK). Pesquisador do Laboratório de Intervenção Clínica - LIC do IC/FUC tendo experiência em Exercício Físico, Fisiopatologia do Exercício, Antropometria e Composição Corporal. Colaborador no livro intitulado “Nutrição e Atividade física: do adulto saudável às doenças crônicas” pela editora Atheneu (2015). Autor de artigos internacionais envolvendo exercício físico em populações com riscos cardiovasculares.

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