Segunda Científica: “O doping pode ser uma coisa boa?”

Segunda Científica: “O doping pode ser uma coisa boa?”

Nesse post da “Segunda Científica”, apresentaremos o editorial de janeiro de 2016 da Sports Medicine escrito pelo Dr. Samuele Marcora. O texto “Can doping be a good thing? Using psychoactive drugs to facilitate physical activity behaviour” (O doping pode ser uma coisa boa? Uso de drogas psicoativas para facilitar o comportamento da atividade física) traz uma proposta polêmica, porém interessante, para reduzir o sedentarismo. Inicialmente, o autor coloca que a manutenção do comportamento ativo é o principal problema e que, urgentemente, precisam ser desenvolvidas e implementadas novas intervenções.

Nesse sentido, aponta para uma abordagem psicobiológica. Marcora acredita que a razão psicobiológica central para a maioria das pessoas não se envolver regularmente em atividade física é: “seres humanos não gostam de fazer esforço”. Existe uma provável razão evolutiva para isso (vale a pena ler!). Portanto, há necessidade de se encontrar caminhos que possam diminuir a percepção de esforço e desconforto relacionados ao exercício sem, no entanto, reduzir a intensidade e/ou duração do mesmo (tarefa difícil!).

Nesse sentido, Marcora propõe o uso de substâncias psicoativas para facilitar a atividade física regular, principalmente em sujeitos com exarcebada percepção de esforço e desconforto (por exemplo, obesos). Como perspectiva inicial, a cafeína parece ser interessante tendo em vista algumas (não muitas) evidências sobre seus efeitos perceptuais no exercício (i.e., percepção de esforço, dor muscular, sensação de prazer, etc.), além de seu baixo custo, segurança e disponibilidade. Marcora aponta que há base teórica para o uso de substâncias psicoativas com objetivo de facilitar a prática de atividade física (ver figura 1) e que essa estratégia é psicobiologicamente plausível para redução do sedentarimo e melhora da saúde pública. Por fim, o autor espera que isso não seja imediatamente rejeitado com base em argumentos éticos relacionados ao doping.

Acredito que a perspectiva é justificável e plausível. Investigações iniciais em obesos seriam bastante interessantes.

Prof. Dr. Eduardo Caldas Costa

Saiba Mais >> Através da “Segunda Científica”, o Prof. Eduardo busca estimular a leitura sobre assuntos importantes relacionados à área da educação física e saúde. Siga no Instagram (@e.caldas) e acompanhe de perto!

Professor/Pesquisador - DEF, UFRN Grupo de Pesquisa sobre Efeitos Agudos e Crônicos do Exercício (GPEACE)

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