Consumo de refrigerantes diet e risco da incidência de síndrome metabólica e diabetes tipo 2 – [Estudo comentado]

Desde algum tempo, especulamos acerca dos benefícios ou dos malefícios da alimentação dietética. A abrangência desse tipo de produto, há muito ultrapassou o uso exclusivo por diabéticos, e alcança atualmente consumidores em busca da promessa de saúde ou de emagrecimento, das baixas calorias. Mas a antiga especulação dos benefícios versus malefícios não foi esquecida, e está sendo evidenciada.

No artigo denominado “Diet Soda Intake and Risk of Incident Metabolic Syndrome and Type 2 Diabetes in the Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis (MESA)“, a ideia foi relativamente simples: investigar a relação entre a frequência do consumo de refrigerantes dietéticos com o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Porém para sugerir ideia de causalidade dessa magnitude só mesmo lançando mão de grandes números. E aqui estão eles: o estudo MESA incluiu aproximadamente 6.800 indivíduos de variadas etnias, com idades entre 45-84 anos. Os acompanhamentos foram feitos em 3 oportunidades (2000-03; 2004-05; 2005-07).

Os casos de diabetes tipo 2 eram os que apresentaram glicose > 126mg/dl, afirmação pessoal de apresentar DM tipo 2 ou utilização de medicação para o controle da condição.

De 5011 participantes, o consumo de refrigerante dietéticos foi categorizado como:
(a) raro ou nunca (2.961 sujeitos);
(b) mais do que raro ou nunca, porém consumo menor do que 1 porção por semana (455 sujeitos);
(c) 1 vez ou mais por semana até < 1 porção/dia (914 sujeitos);
(d) uma ou mais do que 1 porção por dia (618 sujeitos).

Ao final do estudo, os resultados do consumo de refrigerante dietético diário foi associado com o incremento do risco de incidência de síndrome metabólica e diabetes tipo 2. A ingesta diária da bebida foi associado com um risco relativo aumentado em 36% para a incidência da síndrome metabólica e 67% para a incidência de diabetes tipo 2 quando comparados a pessoas que não consumiam a bebida.

Além do desenvolvimento da condição diabética tipo 2, o perímetro da cintura (>102cm para homens e >88cm para mulheres) e altos níveis de glicemia (>100mg/dl) foi associado com o consumo dos refrigerantes dietéticos. Um fato interessante é que a associação entre a DM2 e o consumo de refrigerante dietético foi independente da adiposidade (perímetro de cintura e¤ou índice de massa corporal).

Ainda que os resultados demonstrem associações do consumos das bebidas diet com desenvolvimento de diabetes tipo 2, os autores não reportam uma relação causa-efeito.

Porém, os autores colocam algumas questões sobre seus achados.
1. A relação entre o consumo de refrigerantes dietéticos e ganho de peso seria uma hipótese provável devido ao aumento do consumo de alimentação de alto valor energético, principalmente doces.
2. O excesso de consumo de outros alimentos ou bebidas aumentando muito as calorias ingeridas, devido à superestimação das calorias economizadas pelo consumo da bebida dietética.
3. O consumo de refrigerantes dietéticos se relaciona com pessoas que estão em guerra contra o ganho de peso, e nem sempre vencem.

Do mesmo modo que as pessoas que utilizavam as bebidas dietéticas, e lembramos que entre a amostra desse estudo diabéticos não faziam parte, provavelmente estariam em estilos de vida que influenciariam desenvolvimento de síndrome metabólica ou diabetes tipo 2. Portanto, mais fatores de confusão difíceis de serem controlados.

Mas, de qualquer forma, vale considerar o achado de que o consumo diário de refrigerantes dietéticos esteve associado com aumento do risco do desenvolvimento de dois marcadores de síndrome metabólica (perímetro da cintura e glicemia de jejum) e com diabetes tipo 2 nessa grande coorte multiétnica.

Vai um refri diet, aí?!

Referência:

Nettleton JA et al. Diabetes Care. 2009;32(4):688-94. Diet Soda Intake and Risk of Incident Metabolic Syndrome and Type 2 Diabetes in the Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis (MESA).

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