Álcool: muito mais vilão do que mocinho

Álcool: muito mais vilão do que mocinho

Vai aí a dica GW/ES!

Seja no ambiente de trabalho, convívio familiar, ou festinha/encontro com os amigos, os relatos de alguma “leve bebedeira” sempre aparecem ou mesmo…acontecem.
Porém ao questionarmos o ato de beber, uma resposta cada vez mais frequente tem sido que “há evidências que álcool faz bem a saúde“!!! Partindo dessa afirmação e na intenção de dar suporte aos profissionais da saúde em relação a essa afirmação, disponibilizo a bela revisão sobre o tema “risco/benefício do álcool no sistema cardiovascular” realizado pelo Dr. Joaquim Fernández-Solà da Universidade de Barcelona e publicado na Nature Reviews Cardiology (Fator de impacto 10.154). Coloquei uma breve síntese do artigo abaixo, porém, quem quiser ler o artigo na íntegra antes de curtir o Carnaval é só solicitar que enviamos. Para acessar o resumo clique aqui.

Boa leitura pessoal!!!!!

O coração e sistema vascular são susceptíveis aos efeitos nocivos do álcool. O álcool é uma toxina ativa que sofre difusão generalizada por todo o corpo, causando vários efeitos síncronos e sinérgicos. O consumo crônico de álcool diminui a contratilidade do miocárdio (músculo do coração) e induz arritmias e cardiomiopatia dilatada, o que resulta em disfunção cardiovascular progressiva e danos estruturais. O álcool, em doses de compulsão ou consumido por tempo elevado durante a vida, ambos cumulativos, deve ser desencorajado decorrente ao seu efeito deletério no sistema cardiovascular, aumento da incidência de mortalidade total e cardiovascular, acidente vascular cerebral, doença arterial coronária e periférica, insuficiência cardíaca, hipertensão, dislipidemia e diabetes mellitus. No entanto, estudos caso-controle, prospectivos  ou metanálises têm mostrado uma associação do consumo baixo a moderado de álcool (especialmente de vinho ou cerveja) com uma diminuição da mortalidade e da morbidade em comparação com abstenção. Porém, é necessário termos cautela, pois potenciais influências da quantificação da dose de álcool, tabagismo, dieta, exercício, ou estilo de vida, podem afetar os resultados dos estudos e desses dados. Abordagens metodológicas mendeliana levaram a dúvidas quanto aos efeitos cardiovasculares benéficos do álcool e o saldo global dos efeitos benéficos vs. prejudiciais devem ser considerados ao fazer recomendações à população.

Efeitos agudos – O que acontece logo após o consumo de álcool?
■ Depressão transitória da contratilidade cardíaca;
■ Distúrbios do ritmo cardíaco (“síndrome do coração de férias”);
■ Hipertensão arterial;
■ Ataque cerebral isquêmico transitório;
■ Morte súbita.

Efeitos sobre o coraçãoO que acontece com o consumo regular de álcool?!
■ A disfunção ventricular (diastólica e sistólica);
■ Disfunção Atrial;
■ Arritmias crônicas;
■ Cardiomiopatia alcoólica (incluindo subclínica cardiomiopatia, insuficiência cardíaca e cardiomiopatia dilatada);
■ Doença cardíaca coronária (incluindo angina e infarto do miocárdio);
■ Mortalidade cardiovascular.

Efeitos sobre o cérebro – O que acontece com o consumo regular de álcool?!
■ Acidente vascular cerebral isquêmico;
■ Acidente vascular cerebral hemorrágico;
■ Hemorragia subdural;
■ Mortalidade relacionada com o acidente vascular cerebral;

Efeitos sobre o sistema vascular – O que acontece com o consumo regular de álcool?!
■ Aterosclerose sistêmica;
■ Hipertensão arterial;
■ A doença arterial periférica;
■ Mudanças no perfil lipídico (incluindo o colesterol LDL e triglicérides);
■ Diabetes mellitus;
■ Mudança nos marcadores inflamatórios endoteliais;
■ A sinergia com outros fatores de risco vasculares (como o tabaco e cocaína).

Portanto, crie suas regras para um consumo LEVE, ou para abstinência de álcool.
Seus familiares e amigos agradecem, e nós também.

Grande abraço pessoal!!!

Profissional de Educação Física graduado pela Universidade Feevale (2008). Mestrado em Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (2013). Atualmente é doutorando em Cardiologia do Instituto de Cardiologia / Fundação Universitária de Cardiologia - IC/FUC do Rio Grande do Sul (2015). Antropometrista (Nível 2) certificado pela International Society for the Advancement of Kinanthropometry (ISAK). Pesquisador do Laboratório de Intervenção Clínica - LIC do IC/FUC tendo experiência em Exercício Físico, Fisiopatologia do Exercício, Antropometria e Composição Corporal. Colaborador no livro intitulado “Nutrição e Atividade física: do adulto saudável às doenças crônicas” pela editora Atheneu (2015). Autor de artigos internacionais envolvendo exercício físico em populações com riscos cardiovasculares.

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