A importância do inglês na formação de profissionais da saúde

A importância do inglês na formação de profissionais da saúde

[…]Quero falar sobre um assunto ainda muito subestimado pelo nosso ensino superior em saúde no país todo. E, como sabem, quando falo em ensino em saúde no país, gosto de lembrar do agravante da minha área da Educação Física neste contexto, que ainda pena para se colocar em uma posição com o merecido prestígio. Mas, enfim… O assunto de hoje é, então, o essencial papel da língua inglesa nas nossas formações e como poderíamos aproveitá-las melhor se conhecêssemos esta importância de antemão.

Nos anos dedicados aos nossos cursos acabamos em contato – de uma forma ou de outra – com a literatura científica estrangeira (essencialmente na língua inglesa). Diante da resistência que vi, muitas vezes, em colegas e em alunos em tentarem compreender os motivos para esta insistente aparição do inglês nas nossas vidas acadêmicas, notei que há uma grande falta de entendimento do processo científico por parte daqueles que “não gostam” da ou “não sabem e não querem saber” a língua. Infelizmente nascemos falando uma língua pouco falada (proporcionalmente falando) num mundo onde há centenas e centenas de idiomas vigentes. O inglês veio fazer o papel do esperanto (descubra aqui o que é isso) na elaboração e disseminação do conhecimento científico.

    Servindo como ferramenta de globalização do saber técnico, o inglês nos possibilita o contato direto com as mais recentes produções da nossa área. Isso nos faz estar em pé de igualdade com o que é mais atual dentro do nosso campo de trabalho no mundo inteiro, gerando um diferencial muito interessante profissionalmente falando, além de contribuir com o avanço da área em geral dentro do nosso país. Em contrapartida, quando o domínio da língua é ausente, ficamos à mercê de traduções das obras publicadas em inglês (que podem demorar anos) ou encarcerados na produção em português, que é menor e muito mais restrita.

    Quando se fala em artigos científicos então, a coisa fica pior ainda. Este tipo de publicação normalmente não sofre nenhuma tradução, a não ser que seja através de sua publicação em algum livro. Assim sendo, se formos falar da importância do inglês na pós-graduação (onde basicamente lê-se artigos científicos todo santo dia), estaremos sendo muito óbvios. E, realmente não é este o ponto que eu quero tocar… É justamente do nível de graduação e de profissionais formados que trabalham na linha de frente, que eu me refiro. A autonomia que o saber inglês gera nestes contextos é incrível. Por exemplo, existe uma quantidade enorme de livros-texto disponíveis de graça (torrent) em inglês (farmacologia, fisiologia, fisiologia do exercício, anatomia, patologia, bioestatística, etc.). A quantidade de sites especializados e de organizações internacionais importantes (normalmente com diretrizes atualizadas e gratuitas para download) também é muito grande, aumentando muito a possibilidade de auto-atualização.

    Com o acima exposto nota-se que minha opinião neste sentido é bem forte. Mas, digo tudo isso tendo tido a chance de entrar na faculdade com o nível avançado de inglês (graças à minha irmã, professora da língua e grande incentivadora) e tendo observado o quanto eu pude aproveitar mais a minha formação e o quanto isso agregou na minha prática – sem contar as portas acadêmicas que este conhecimento me abriu. O crescimento das áreas da saúde passa justamente por uma maior profissionalização e esta maior profissionalização passa obrigatoriamente por uma prática baseada em evidência – onde o inglês é imprescindível.

    Se você ainda não domina a língua, não esqueça que nunca é tarde para aprendermos. Existem diversas alternativas (muitas gratuitas) para o aprendizado do inglês e, num primeiro momento, para cumprirmos o proposto neste texto, o que mais interessa ainda é a língua escrita. Para aproveitar muito do que existe no conhecimento técnico disponível, você não precisa ser um exímio “falador” – pode ser somente um bom leitor. E, para isso, além de possíveis cursos que você pode vir a fazer, nada melhor do que muita muita muita prática. Comece hoje mesmo!

Abraços,

Lucas

Fonte:

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Bacharel em Educação Física pela UFGRS, possuindo títulos de Especialista em Cardiologia e Metabolismo pela Fundação Universitária de Cardiologia e Mestrado em Ciências da Saúde, com ênfase em Ciências Cardiovasculares, pela Faculdade de Medicina da UFRGS. Atualmente é pesquisador do Laboratório de Fisiopatologia do Exercício do Hospital de Clínicas de Porto Alegre aluno de doutorado pela mesma instituição de seu mestrado. Academicamente atua nas linhas de hipertensão, obesidade e doenças metabólicas.

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