Um tiro no pé

Um tiro no pé

A Fundação Gol de Letra, instituída em 1998 pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo desenvolve um excelente trabalho comunitário, com inclusão social de crianças e adolescentes que realizam atividades culturais, educacionais e esportivas.

Uma das recentes ações da Fundação, juntamente com o Centro Paula Souza, foi a inauguração de um curso técnico em Esportes e Atividade Física. Conforme notícia do blog da Fundação Gol de Letra, o projeto visa abrir um novo campo de trabalho para jovens interessados em esportes. Apoiadora da iniciativa, a ex-jogadora de vôlei Ana Moser indica que antes no Brasil era “tudo ou nada” para se trabalhar em esportes – ou seja, é/era necessário formação em educação física. Elaine Piccino, coordenadora de projetos do Centro Paula Souza, argumenta que existe uma necessidade de profissionais que ensinem e disseminem esportes, a qual não consegue ser suprida somente por profissionais de educação física.

Minha opinião:

A criação de uma “nova profissão”, como tem sido veiculado na grande mídia, é por ora absurda e irreal. Os argumentos de falta de profissionais de educação física e/ou de maior democratização para o acesso ao esporte parecem bastante infundados. Caso isso tenha amparo na realidade, seria interessante conhecermos dados objetivos sobre as afirmativas.

O projeto tem um valioso objetivo de inserir jovens no mercado do trabalho, e nisto sou completamente a favor. Porém a “nova profissão” teria de ser discutida, nacionalmente disponível e com nítida diferenciação/especialização de seus profissionais. Caso isso não seja possível, há o ensino estruturado e disponibilizado em diversos centros de ensino de educação física. Neste caso, a Fundação Gol de Letra poderia oportunizar qualificação de base (que é a grande carência no Brasil) para que estes jovens alcancem cursos superiores e tenham o conhecimento necessário para orientar exercício físico.

Saliento que o teor deste posicionamento é educacional. Não acredito que se constroem profissionais jovens com apenas 1 ano e meio de ensino/treinamento. Reforçando o não-corporativismo, em muitos casos não vejo a obrigatoriedade de orientação e/ou supervisão do exercício, o qual tem riscos totalmente suplantados pelos seus benefícios (reitero, na maioria dos casos).

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