Níveis de Atividade Física e Expectativa de Vida

Níveis de Atividade Física e Expectativa de Vida

Minimum amount of physical activity for reduced mortality and extended life expectancy: a prospective cohort study.
Wen et al, Lancet 2011.

Para discutir a antiga pergunta: Atividade Física prolonga a vida? Qual a “dose” necessária para isso?

Recentemente foi publicado no Lancet um estudo que teve por objetivo detectar a quantidade mínima de Atividade Física (AF) que reduz mortalidade (Wen et al. 2011). Esse estudo de coorte prospectiva avaliou 416.175 pessoas saudáveis que foram mapeadas através de registros médicos e acompanhadas por aproximadamente 8 anos. Os resultados demonstraram redução da mortalidade, mesmo no grupo que cumpriu menos que a recomendação da OMS de 150 minutos de atividades físicas semanais.

Na análise da quantidade de AF, os autores classificaram as pessoas que não atingiam a recomendação da OMS, como “baixo volume” (média de 15min de AF/dia), as quais foram o foco do estudo, e demonstraram que – quando comparadas com as inativas – se beneficiaram das práticas de AFs (Figura 1).

Além das análises de quantidade de AF realizada, também foram realizadas análises de intensidade, que indicaram mais benefícios em pessoas que realizavam AF em intensidade mais alta (Figura 2). Por exemplo, pessoas que realizam o mesmo volume (moderado) de AF em intensidade mais alta apresentaram uma proteção de aproximadamente 33% para o risco de por qualquer causa, enquanto os que realizavam intensidade moderada apresentaram proteção de aproximadamente 22%, comparados ao grupo que não realizavam atividades físicas.

Além disto, o mesmo padrão ocorreu para morte por doenças cardiovasculares, a qual no mesmo grupo de indivíduos que realizavam volume moderado, mas com intensidade alta, a redução de risco foi de 44% (0,56 pessoas-ano) para o grupo de AF moderada e intensidade alta, enquanto o grupo com intensidade moderada apresentou redução aproximada de 19% (0,81 pessoas-ano).

Sabe-se que o comportamento em relação a Atividade Física é de difícil avaliação, e afeta diretamente a interpretação dos resultados/limitações dos estudos, entretanto o grupo teve o cuidado de avaliar somente as atividades de cunho voluntário, ou seja, atividades físicas de lazer e atividades laborais (atividades físicas no trabalho), as quais já demonstraram serem as mais significativas em estudos anteriores.

Além disso, a tentativa de detectar uma quantidade abaixo dos 150 minutos semanais, apesar de polêmica, pode ser interessante, visto que a maioria da população ainda não atinge as recomendações e pode se sentir-se desmotivada a tal, devido à dificuldade de cumprir essa meta. Alguns estudiosos da área acreditam que a aderência a Atividades Físicas pode ser modificada mesmo em volumes mais baixos, para então objetivar aumentos no volume e/ou intensidades das práticas, tendo em vista que mesmo “o mínimo já é melhor do que nada e pode levar a muito”.

Em suma, parece que o artigo acrescenta informações interessantes a partir do momento que os sujeitos apresentaram redução da mortalidade por todas as causas, mesmo realizando em média 92 minutos semanais, bem menos que o preconizado pelos Guidelines. Além disso, quem não gostaria de viver 3 anos a mais em troca de apenas 15 minutinhos diários?

Porém, recomendo cautela na “adoção” dessa nova ideia de “dose” de AF, pois sabemos que “quanto menos se recomenda menos se faz”, e ainda vale lembrar que: maiores volumes e intensidades demonstram maiores benefícios.

Referência:
Wen et al. Minimum amount of physical activity for reduced mortality and extended life expectancy: a prospective cohort study. Lancet 2011, 398 (9798): 1244-1253.

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