Highlights do 1º Fórum de Educação Física em Cardiologia

O evento foi realizado no dia 16 de Setembro de 2011, no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre. Este foi um “momento histórico”, pois inaugurou a participação da Educação Física em um dos maiores congressos de saúde do Brasil. Esperamos que tenha continuidade no próximo Congresso Brasileiro de Cardiologia, o qual ocorrerá em Recife.

Prof. Alvaro Reischak de Oliveira
A conferência de abertura foi ministrada pelo Prof. Alvaro Reischak de Oliveira, o qual abordou Exercício, sistema cardiovascular e lípides circulantes. Nesta palestra, o Prof. Alvaro trouxe interessantes evidências sobre a prevalência crescente de obesidade no mundo, a influência dos altos níveis de LDL circulantes para o desenvolvimento de aterosclerose, e a associação dos lípides à saúde/doença cardiovascular. Numa segunda parte, o Prof. Alvaro explorou a influência do exercício (principalmente agudo) sobre os lípides circulantes. Assim, apresentou estudos sobre o benefício do exercício para tornar o LDL menos oxidável (o que reduz a formação de placas ateromatosas), resposta dos lípides após protocolos de exercício aeróbico e de força (resistido, musculação), e por fim trabalhos muito interessantes mostrando o efeito dose-resposta do exercício sobre os lípides. Neste particular, resumidamente, sessões contínuas ou parceladas têm impacto semelhante sobre os lípides, e a duração do efeito parece ocorrer a partir da última sessão, não respondendo ao acúmulo de sessões.

Dr. Paulo Ricardo Nazário Viecili
O Dr. Paulo Viecili abordou O papel do Exercício na prevenção de doenças cardiometabólicas, e chamou nossa atenção para o fato que na população o VO2max possui muita relação com baixo condicionamento físico e é importante fator prognóstico, tanto em jovens quanto em idosos. Porém, o aumento do condicionamento em apenas 1MET leva à diminuição de 0,061mgdL da PCR (proteína C-reativa). Cabe lembrar que PCR é um marcador de inflamação e está associada à mortalidade. Adicionalmente, o estado inflamatório é processo fundamental no desenvolvimento e rompimento do ateroma. Lembremos que na avaliação dos níveis de PCR-ultrassensível, valores abaixo de 0,3 mg/dL são considerados satisfatórios; e, portanto, mesmo pequenos ganhos em METs são clinicamente relevante.

O Dr. Paulo Viecili, junto com seu grupo de pesquisa, fez um trabalho onde os níveis de pressão arterial foram acompanhados ao longo de semanas de treinamento. E, de forma bastante consistente, a diminuição da PA esteve na ordem de aproximadamente 15mmHg no grupo de exercício.
Ao longo de sua apresentação, deixou claro e declarou com todas palavras que “É anti-ético não recomendar exercício para o paciente cardiopata”. Para acessar um dos trabalhos do Dr. Paulo Viecili, clique aqui.

Profa. Cláudia Lúcia de Moraes Forjaz
A conferência da Profa. Claudia Forjaz teve como tema “Hipertensão Arterial e Exercício: Novas Evidências”, com foco nas respostas da pressão arterial em função do treinamento resistido, pelo fato que este tipo de treinamento que tem recebido maior atenção em estudos recentes (enquanto o exercício aeróbico já está bem estabelecido). Neste contexto, colocou o exercício aeróbico como método prioritário para o tratamento da hipertensão, e concordou com o Dr. Paulo Viecili que “Não recomendar exercício aeróbico para o hipertenso é anti-ético”.

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é fator de risco importante para a formação de aneurismas. E as flutuações da pressão arterial sistólica e diastólica, aumentam o risco de rompimento dos aneurismas, e consequentemente a ocorrência de um evento que pode ser por exemplo cerebral. Desta forma, o grupo da Profa. Forjaz tem investigado o risco de súbitos aumentos (os quais são mais danosos para aneurismas) durante o exercício resistido.
Um recurso para que o treinamento de força NÃO seja de risco, pode ser diminuindo a intensidade. Porque séries, até a fadiga, de 40% ou 80% de 1RM apresentam aumentos semelhantes de pressão arterial. Porém como a utilização de 40% de 1RM permite em torno de 2 vezes mais repetições, e assim o aumento da pressão é também 2 vezes mais lento. A magnitude do aumento é similar, porém a velocidade do aumento é diferente, o que pode garantir mais segurança em intensidades menores.
Num estudo do grupo da Profa. Forjaz, o exercício de força atingiu efeito aditivo em conjunto com medicação (Captopril) somente na utilização de intensidade de 40%, em comparação com 80%. Dessa forma, o exercício de força demonstrou que soma ao efeito hipotensor desse IECA (Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina).
Noutro estudo bem interessante, em negros africanos, o grupo da profa. Claudia Forjaz demonstrou que apenas uma série moderadamente intensa (40-60%1RM) de 8 exercícios não alterou a PA no repouso. Porém nos indivíduos treinados, houve um descenso noturno pronunciado. Um efeito que tem importância clínica para esta população.
Os maiores efeitos de diminuição da pressão arterial, em função do treinamento resistido, estão relacionados positivamente ao tamanho do grupo muscular envolvido no exercício, ao volume do treino, à baixa intensidade, e ao destreino. Para acessar um dos artigos da Profa. Forjaz, clique aqui.

Profa. Kátia De Angelis
A palestra da Profa. Katia De Angelis foi bastante compreensiva, com o uso de evidências em animais e humanos, para explorar a relação do diabetes com o risco cardiovascular aumentado. Evidências genéticas demonstra que um filho de paciente DM2 tem chance aumentada em 40% de ser diabético. Em comparação com filhos de DM2 sedentários, os filhos de DM2 ativos apresentam normalidade de função autonômica, o que sugere que os benefícios da atividade física podem alterar (ou pelo menos retardar) o curso de história familiar da doença.

A Profa. Katia De Angelis levou para o congresso vários de seus resultados em modelo animal de diabetes. Num desses, ela evidencia que quanto menor a sensibilidade à insulina, menor a sensibilidade do baroreflexo. Visto que este mecanismo é muito importante para a regulação da pressão arterial, a baixa sensibilidade à insulina pode estar associada a cascatas de efeitos e eventos para o desenvolvimento de disfunção na pressão arterial, por exemplo. Adicionalmente, a disfunção autonômica é importante agravante na DM, tanto por um aumento do sistema nervoso simpático, ou redução da atividade parassimpática.

Um outro dado importante se relaciona à disfunção diastólica, que é uma condição prevalente no paciente diabético, e em modelo animal parece ser revertida pelo treinamento físico.
Embora a doença cardiovascular seja a maior causa de morte no DM2, os estudos ainda levam mais em conta o controle metabólico do que aspectos cardiovasculares no diabético, coloca a Profa. Katia De Angelis.

Prof. Tony Meireles dos Santos
O Prof. Tony Meireles dos Santos abordou o “Aspectos da Prescrição de Treinamento Aeróbico”, explorando bastante os fatores que levam ao aumento do consumo máximo de oxigênio e aumento da tolerância ao exercício. Neste particular, o Prof. Tony comentou sobre a carência de evidências sobre recomendações de volume do exercício. Uma das dificuldades comentadas pelo Prof. Tony foi a tomada de decisão com base em critérios objetivos de intensidade. Neste sentido, um trabalho de seu grupo (Santos et al, JSCR 2011 – no prelo), buscou desenvolver uma orientação integrada da tomada de decisão para prescrição do exercício com base em valores de consumo de oxigênio e freqüência cardíaca. Outro aspecto levantado foi a importância da adesão ao treinamento, a qual parece ao tipo de atividade física que mais proporciona prazer. No campo das novas evidências sobre treinamento intervalado, com períodos de alta a altíssima intensidade, o Prof. Tony pontuou que estas estratégias são usadas por décadas para otimização dos ganhos em capacidade funcional, mas realmente só em 2011 o ACSM (American College of Sports Medicine) incluiu estas modalidades em suas diretrizes.

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