Estudo DARE: Eficácia dos tipos de treinamento físico no diabetes

Effects of Aerobic Training, Resistance Training, or Both on Glycemic Control in Type 2 Diabetes. A Randomized Trial

Annals of Internal Medicine 2007

Qual o problema e o que se sabe a respeito até o momento?

Até a realização do estudo DARE (Diabetes Aerobic and Resistance Exercise), a eficácia do treinamento físico para o diabetes tipo 2 (DM2) concentrava-se em trabalhos com treinamento aeróbico ou treinamento de força aplicados de forma isolada.

Porém, possíveis efeitos incrementais da combinação de ambos os tipos de exercício não havia sido testado.

Por que os pesquisadores realizaram o estudo?

O grupo canadense liderado pelo Dr. Ronald Sigal avaliou os efeitos no controle glicêmico a partir da aplicação exclusiva de treinamento aeróbico e de força, comparados a um grupo controle sedentário. Além disso, efeitos da aplicação de ambos os treinamentos de forma combinada (também chamado de treinamento concorrente) foram comparados aos grupos de treinamento isolado, e grupo controle.

Quem foi estudado?

No total, foram estudados 251 pacientes com DM2, entre 39 e 70 anos, com hemoglobina glicada (HbA1c) entre 6,6% e 9,9%.

Não foram incluídos pacientes em uso de insulina, engajados em exercício regular, com disfunção renal, hipertensão não-controlada, ou com mudanças recentes (últimos 2 meses) na terapia farmacológica para o diabetes, hipertensão, e/ou dislipidemia.

Como foi feito o estudo?

Ensaio clínico randomizado em paralelo, com duração de 6 meses. Os indivíduos foram alocados aleatoriamente para 1 de 4 grupos: (a) treinamento aeróbico, (b) treinamento de força, (c) treinamento combinado ou (d) grupo controle.

O treinamento teve frequência de 3 vezes por semana e foi supervisionado por profissionais. O treinamento aeróbico foi progressivo, chegando a 45 minutos por sessão, com intensidade de 75% da frequência cardíaca máxima. O treinamento de força baseou-se em 7 exercícios, com volume final de 3 séries por exercício, com a carga suficiente para realização de 7 a 9 repetições máximas. Pacientes no grupo treinamento combinado realizaram ambos os programas completos (aeróbico e força). O grupo controle foi solicitado a permanecer em níveis habituais de atividade.

Quais foram os achados?

O controle glicêmico foi quantificado a partir da HbA1c, que é a variável de referência para manejo e diagnóstico. Todos os grupos de treinamento reduziram significativamente seus níveis de HbA1c em comparação ao grupo controle. Entretanto, o treinamento combinado promoveu maiores magnitudes de redução, em relação aos 3 grupos de comparação (controle, aeróbico e força).

Para a gordura corporal (avaliada por impedância bioelétrica), a redução foi de -1,9kg, 1,6kg e 1,3kg para treinamento combinado (P<0,05), aeróbico (P<0,05) e de força (P=0,08), respectivamente. A massa magra não foi alterada em nenhum grupo.

Quais as limitações do estudo?

Pacientes em uso de insulina não foram incluídos, limitando a generalização dos resultados para essa subclasse de indivíduos.

Os treinamentos possuem volumes (quantidades) diferentes, visto que os indivíduos alocados para o treinamento combinado realizaram os programas completos de exercício aeróbico e de força. Assim, a combinação dos estímulos pode induzir efeitos incrementais. No entanto, a prescrição com o dobro de exercícios é um importante fator de confusão na maior magnitude dos efeitos no treinamento combinado.

Quais as implicações do estudo?

Até 2007, o artigo de Sigal et al. é a melhor evidência sobre eficácia do exercício no DM2. Demonstra que qualquer tipo de treinamento reduz os níveis de HbA1c, especialmente o treinamento combinado (ou concorrente) com exercícios aeróbicos e de força.

Para acessar o artigo, clique aqui.

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