Efeitos do exercício físico nas artérias coronárias

Effect of Exercise on Coronary Endothelial Function in Patients with Coronary Artery Disease

Hambrecht R, Wolf, A, Gielen S, Linke A, Hofer J, Erbs S, Schoene N, Schuler G.

N Engl J Med, 2002.

Qual o problema e o que se sabe a respeito até o momento?
O treinamento físico possui efeito protetor no coração, entretanto, o aumento da perfusão sanguínea miocárdica não havia sido completamente explicado.

Por que os pesquisadores realizaram o estudo?
Apesar do aumento de fluxo sanguíneo no coração, não está estabelecido que ocorre angiogênese no coração de humanos.

Assim, o presente trabalho testou se o treinamento físico poderia aumentar a vasodilatação de artérias coronárias, assim explicando em parte o efeito cardioprotetor do exercício, independentemente da formação de novos vasos.

Quem foi estudado?
Foram incluídos 19 pacientes com doença arterial coronária (DAC), definida por estenose que tenha requerido angioplastia percutânea. Os grupos possuíam idade similar (60 anos), e cerca de 30% dos indivíduos tinham história de infarto do miocárdio. A estenose média foi de 26,4% e 27,9% no grupo treinamento e grupo controle, respectivamente.

Como foi feito o estudo?
Os participantes foram randomizados para um de 2 grupos: (a) treinamento físico, 6 sessões por dia, cada uma com duração de 10 minutos na fase principal de exercício (bicicleta), à 80% da frequência cardíaca máxima; ou (b) grupo controle, com cuidados usuais e terapia farmacológica. A intervenção durou 4 semanas, e durante este período o grupo treinamento ficou internado no hospital, treinando diariamente.

O desfecho primário foi a função endotelial das artérias coronárias, avaliada por angiografia quantitativa e expressa pelo % de variação do diâmetro luminal da artéria de interesse no coração. Para estímulo da resposta vascular, acetilcolina é infundida na artéria avaliada. Em indivíduos não-doentes, a resposta é de vasodilatação. No entanto, pacientes com DAC apresentam vasoconstrição.

Quais foram os achados?
Em comparação ao grupo controle, pacientes treinados apresentaram melhora da função endotelial coronária. A vasoconstrição pré-treinamento que era de 15,2% foi reduzida para 6.8% após 4 semanas de intervenção, assim indicando adaptação da artéria (que respondeu melhor à infusão de aceticolina).

Quais as limitações do estudo?
Pouquíssimas limitações. O que eu ressaltaria é que por aspectos financeiros, logísticos e metodológicos, o modelo de treinamento físico utilizado (6 mini-sessões por dia) tem aplicação limitada. O estudo é claramente de eficácia, mas a partir disto, é importante testar a efetividade (aplicação no mundo real) do treinamento físico para a adaptação vascular coronária.

Quais as implicações do estudo?
Apenas quatro semanas de treinamento aeróbico aumentam a função das artérias coronárias, conforme mensuração invasiva em pacientes com doença cardiovascular. Isso é uma evidência muito consistente da cardioproteção mediada pelo exercício, e não é por acaso que foi publicado no periódico mais forte na área médica.

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