As Medidas Certas que o Fantástico Deveria Mostrar

As Medidas Certas que o Fantástico Deveria Mostrar

O Fantástico iniciou a série “Medida Certa”, na qual celebridades participam de um programa para emagrecimento. A intervenção envolve exercício físico e controle alimentar, com trabalho individualizado (personal training), equipe multidisciplinar, academia de 1º mundo, e avaliações específicas. Sem dúvida, ótimas estratégias para melhoria da composição corporal e saúde.

Mas, acredite, o Fantástico poderia fazer melhor.

No primeiro episódio da série, exames bioquímicos, físicos e funcionais são realizados nos participantes. Neste primeiro passo, há um despreparo abissal na avaliação de composição corporal, especificamente nas medidas de gordura subcutânea realizadas por um médico. O erro seria facilmente evitado se o programa optasse pelo profissional adequado e treinado para executar o procedimento. As cenas registram um profissional fazendo o que não sabe, com capacidades e técnicas que não possui e não aprendeu. Infelizmente, essa prática inadequada decorre de uma falsa noção de suficiência de muitos profissionais de saúde em áreas fora da sua formação primária. Não é raro, por exemplo, vermos educadores físicos tentando exercer integralmente o papel de nutricionistas ou psicólogos.
Em alguns capítulos, você também verá isso no Fantástico!

Ainda assim, o quadro “Medida Certa” não chama nossa atenção somente por tais práticas anti-científicas, mas por um desperdício do seu enorme potencial. O Fantástico parece preferir a audiência, enquanto poderia escolher e beneficiar mais a saúde da grande população. O quadro poderia ser diretamente voltado para pessoas com sobrepeso ou obesidade. Pessoas essas, geralmente com baixa auto-estima e sem recursos financeiros para sequer arcar com uma parte da estratégia “fantástica”. É claro que o programa ainda gera benefícios e estimula cuidados com a saúde na população. Mas para outros, é somente mais uma novela da Rede Globo, muito distante do que é possível ser feito pelos “personagens comuns” do outro lado da tela.

A opção pela Saúde Pública seria muito mais proveitosa. Profissionais com conhecimento científico em um forte processo de educação, fornecendo orientações específicas sobre exercício, alimentação, e as dificuldades do emagrecimento. Tudo isso com comunicação atrativa, demonstração de avaliações físicas simples, e das possibilidades de cozinhar e se exercitar de forma fácil, sem custos extras. As celebridades sendo pessoas comuns, e não as celebridades.

E se você achar que sem as celebridades o programa não chamaria tanto a atenção, infelizmente temos de lembrar do exemplo de sucesso (de audiência) do Big Brother Brasil.

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