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Adaptação metabólica por treinamento intervalado ou contínuo [Estudo comentado]

16/05/2011 13:32:06Por Victor Gasparini

Professor Victor Gasparini
CREF-1723-G/ES

Similar metabolic adaptations during exercise after low volume sprint interval and traditional endurance training in humans.

Kirsten A. Burgomaster, Krista R. Howarth, Stuart M. Phillips, Mark Rakobowchuk, Maureen J. MacDonald, Sean L. McGee and Martin J. Gibala.

O treinamento intervalado de alta intensidade vem cada vez mais sendo alvo de pesquisas. Este artigo analisa parâmetros bioquímicos e moleculares acerca do treinamento intervalado de alta intensidade (High Intensity Interval Training - HIIT), comparado ao treinamento aeróbio contínuo (Endurance Training - ET).

Nesse estudo 20 jovens (10 homens) saudáveis e não-treinados foram randomizados entre os 2 tipos de treinamento físico:
Grupo HIIT – treinamento intervalado de alta intensidade
Grupo ET – treinamento aeróbico contínuo

Um detalhe importante é a ausência de um grupo controle sem treinamento. Isso fez com que os pesquisadores usassem os dados inicias de cada indivíduo como as comparações de controle (cada indivíduo/grupo em comparação com suas próprias características iniciais).

Os sujeitos realizaram teste ergoespirométrico em bicicleta ergométrica para determinar o consumo de oxigênio de pico (VO2pico), e seguiram uma familiarização aos exercícios contínuos (intensidade moderado) e intensos (protocolo de 30 segundos em caráter máximo).

Foram aferidos a freqüência cardíaca, o VO2 pico e o Quociente Respiratório (RER), que mede a taxa de oxidação lipídica e dos carboidratos. Os sujeitos foram instruídos a continuarem sua dieta normal, abstendo-se apenas de bebidas alcoólicas 48h antes de cada teste. Além disso, não houve diferença na ingesta calórica de ambos grupos.

Abaixo seguem detalhes do estudo (bicicleta estacionária):

Grupo HIIT - 3X semana (~1,5h e ~225kJ semanais),  4-6 sprints 30'' + 4'30'' baixa intensidade
Grupo ET - 5X semana (~ 4,5h semanais e 2250kJ semanais), 40-60' a 65% do VO2pico

O VO2pico aumentou de forma similar em ambos os grupos. Como esperado, a freqüência cardíaca e a ventilação diminuíram em ambos grupos. Embora seja possível hipotetizar que o exercício contínuo e mais prolongado (ET) ocasionaria maior oxidação de gorduras, isso não ocorreu. Conforme demonstrado abaixo, os grupos tiveram um padrão similar na oxidação de carboidratos e lipídios, sem diferenças na magnitude das respostas.
 

Mudanças no aparato oxidativo foram bastante aparentes. As enzimas citrato sintase (inicia o Ciclo de Krebs), B-HAD (enzima chave da Beta oxidação) e Piruvato Desidrogenase (responsável pela formação do acetil COA através do piruvato) estavam aumentadas após o treinamento, sem diferença entre os grupos.

Além disso, a quantidade de fosfocreatina e glicogênio muscular estavam elevados após treinamento.

O maior achado deste estudo foi a resposta similar do treinamento aeróbio contínuo x HIIT, devido a grande diferença do volume (quantidade) de treino (~90% menor comparado ao aeróbio contínuo) e tipo de exercício (Predominante Aeróbio x Predominante Anaeróbio).

Por fim, o estudo sugere que o HIIT é uma estratégia com tempo-eficiência para promover mudanças expressivas na capacidade oxidativa muscular, e em adaptações metabólicas, as quais são comparáveis àquelas promovidas pelo clássico modelo de exercício aeróbico contínuo.

Este artigo nos leva a estudar cada vez mais esses processos metabólicos e suas relações com intensidades diferentes de exercício, e desafia o conceito de zona alvo para queima de gordura. Nesse pressuposto intensidades baixas e moderadas de exercícios seriam as melhores para a diminuição da quantidade de gordura corporal.

Quer ler o estudo original? Clique aqui

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